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Escalas de Pesquisa

Um cuidado fundamental na fase de projeto de uma pesquisa quantitativa é a definição das escalas ou alternativas adequadas de resposta para cada uma das questões. Após o levantamento e formulação das questões que farão parte do instrumento de pesquisa, é necessário decidir quantos níveis (ou pontos) de escala serão considerados para conseguir obter informações mais ricas e precisas do nosso público alvo.

Diversas escalas são relatadas na literatura, sendo a de Likert a mais comumente empregada em pesquisas quantitativas. Esta escala, conhecida por escala de concordância, em geral utiliza 5 pontos:

Discordo plenamente, Discordo parcialmente, Não concordo nem discordo,
Concordo parcialmente, Concordo plenamente.

Quando são utilizados de cinco a sete pontos ao invés de menos de cinco, consegue-se extrair uma informação mais rica, pois permite obter do entrevistado mais detalhes de percepção. A desvantagem de se utilizar sete ou mais pontos é o tempo e a complexidade que seriam necessários para se conduzir uma pesquisa por telefone, por exemplo. Além disso, estudos mostram que as pessoas têm dificuldade de memorizar mais de cinco alternativas de resposta (embora algumas escalas sejam mais fáceis de memorizar do que outras).

Outra dificuldade que surge algumas vezes quando se trabalha com muitos pontos de escala é definir palavras que se distribuam de forma eqüidistante numa escala de satisfação ou concordância. Uma má definição de categorias pode não representar bem todas as possibilidades de resposta para uma questão.

O requisito básico para definição de uma escala adequada é o equilíbrio entre as respostas “positivas” e as “negativas”, apresentando ou não uma categoria “neutra”. Este equilíbrio garante a análise adequada e não-tendenciosa dos dados. Uma recente pesquisa, por exemplo, apresentou algumas questões com a seguinte escala de respostas:

Excelente, Muito bom, Bom, Razoável, Ruim e Não sei.

Os dados obtidos a partir da escala acima estarão tendendo para o lado positivo, pois há mais categorias positivas que negativas. Esse desequilíbrio, além de dar uma falsa idéia de que estamos melhores que pensamos, poderá prejudicar a análise estatística dos dados, critério fundamental para validação científica de qualquer pesquisa.

Embora existam diversos estudos sobre escalas de pesquisa, não é possível utilizar uma única escala que sirva adequadamente para todas as perguntas de um instrumento de pesquisa. Assim, cada questão deve ser discutida e sugere-se aplicar questionários piloto, buscando definir uma escala que permita obter respostas adequadas para o contexto da pesquisa e o conseqüente plano de ações.